Às vezes, as palavras queimam. Abrem lumes de prata na negrura da impossibilidade de as dizer. São lua que se derrete no mar. Luz. Música. Silêncio líquido.
Nasce, então, a poesia: poeira lírica do céu que a mão frágil do poeta semeia. Ousadia, talvez.
O poeta tem palavras enredadas nos dedos: rosários de amores e desencantos, de medos e de esperanças. Com elas, adoça a vida, escreve o mundo e partilha imagens como quem conta um segredo.
O poeta tem beijos na voz. E desenha com eles mapas de sentidos num tempo que não conta. Azul. Divinamente azul. Tecidos com fios de luz, bordados com o arrepio que o vento acende nas paredes dos olhos.
O poeta encanta a noite. Como Oriana, a fada boa da Sophia que, um dia, se esqueceu de si para se dar aos outros. Asas. O poeta tem asas na voz. Música. As palavras do poeta rezam na dança dos sons, na paz branca que deixam cair no silêncio das folhas.
O poeta é irmão dos seus irmãos de humanidade. Ama-os, na generosidade da sua entrega. Dá-se, na alegria de abrir o peito e de mostrar a luz que transmuta em palavras. Faz delas razão de ser quem é: artífice, grito, silêncio, mundo e vazio, tempo e eternidade, ilha e universo.
O poeta é o louco que descobre nas palavras perfumes de novidade.
ResponderEliminarO poeta é o marginal que em versos centraliza na vida mares de alegria
O poeta é o mistério dos sons feito melodia cristalina de água pura.
O poeta é o que quisermos dizer nas palavras sempre novas da poesia.