O pior do tempo que passa é o silêncio do que não se viveu. É isso que dói no espelho: a imagem baça de um olhar sem luz, os regos secos de uma pele sem brilho, a solidão noturna de uma janela fechada.
Passamos a vida a envelhecer. Sem nos darmos conta, estamos sentados à porta da vida, com o horizonte no chão. Sem que as horas nos avisem, as nossas mãos desmaiam no colo e a memória afoga-se dentro do peito. Sem nos apercebermos, estamos sós, dramaticamente abandonados ao fim, como se não houvesse futuro, como se não houvesse calor, como se de nada tivesse valido toda a luta, todos os sacrifícios, todo o amor.
De repente, meus amigos, o nosso calendário só tem ontens, o nosso mar fica vazio, as gaivotas já não acordam as nossas manhãs. De repente, o mundo fica confinado ao nosso quarto, as palavras ficam escondidas na garganta, o medo toma conta de nós. De repente, já não há ninguém para conversar, já não há ninguém para abraçar, já ninguém diz,
- tem cuidado, volta cedo,
porque já não há ninguém.
Por isso, esta é a hora. Em ponto. É a hora de olhar para quem já viveu, de beijar as mãos que já nos acariciaram, de beber os exemplos de quem andou a marcar os nossos caminhos.
Amanhã, se Deus quiser, há-de ser a nossa vez. E vamos gostar – certamente - que nos sorriam, que nos abracem, que cuidem de nós.
Hoje, agradecemos a vida. E pedimos que nunca, mas nunca, nos deixemos cair na tentação de nos esquecer de viver. Porque o pior do tempo que passa é quando o espelho só nos mostra o que não se fez.
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sábado, 8 de outubro de 2011
CRESPÚSCULO(S )
Etiquetas:
futuro,
semana da vida,
solidão velhice,
tempo
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Escolhe a vida e viverás
Não há outra escolha. Não há outro meio para sobreviver à angústia, ao desalento, à noite destes tempos que estão velhos. Não há alternativa para lutar contra a(s) morte(s) de cada dia.
Escolher a vida é descobrir que há sorrisos atrás do véu das lágrimas que, tantas vezes, nos impede de ver o que fica para além do que se vê. É encontrar a fonte de luz que as nuvens coam e que luta, tantas vezes, para abrir brechas nos céus; é perceber a música que o vento compõe nas cordas das árvores.
Não há outra escolha senão a da vida. De contrário, a tristeza toma conta dos nossos silêncios, ensurdecemos com os gritos suicidas do desespero, dos erros que cometemos, porque dói menos, porque é mais fácil, porque sim. Apenas porque está na moda, porque é de velhos e de beatos defender os valores antigos.
Estamos sós, cada vez mais longe dos outros, cada vez mais longe de nós. Perdemo-nos das nossas famílias, perdemo-nos nos caminhos que nós próprios traçámos, fechámo-nos dentro do nosso condomínio interior.
Esvaziámos as palavras. Dizemos,
- amo-te,
sem nada dentro, um verbo sem alma, sem para ti, sem amorizar os gestos, o coração, os olhares.
Lembrar-se da vida é escolhê-la. É fazer dela nossa, mas para os outros. É descobrir-lhe o sentido na verdade de quem queremos ser.
“Escolhe a vida e viverás”. Teremos nós outra escolha?
Escolher a vida é descobrir que há sorrisos atrás do véu das lágrimas que, tantas vezes, nos impede de ver o que fica para além do que se vê. É encontrar a fonte de luz que as nuvens coam e que luta, tantas vezes, para abrir brechas nos céus; é perceber a música que o vento compõe nas cordas das árvores.
Não há outra escolha senão a da vida. De contrário, a tristeza toma conta dos nossos silêncios, ensurdecemos com os gritos suicidas do desespero, dos erros que cometemos, porque dói menos, porque é mais fácil, porque sim. Apenas porque está na moda, porque é de velhos e de beatos defender os valores antigos.
Estamos sós, cada vez mais longe dos outros, cada vez mais longe de nós. Perdemo-nos das nossas famílias, perdemo-nos nos caminhos que nós próprios traçámos, fechámo-nos dentro do nosso condomínio interior.
Esvaziámos as palavras. Dizemos,
- amo-te,
sem nada dentro, um verbo sem alma, sem para ti, sem amorizar os gestos, o coração, os olhares.
Lembrar-se da vida é escolhê-la. É fazer dela nossa, mas para os outros. É descobrir-lhe o sentido na verdade de quem queremos ser.
“Escolhe a vida e viverás”. Teremos nós outra escolha?
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