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terça-feira, 3 de maio de 2011

ÀS MÃES. À MINHA

Há um lugar no coração dos homens que tem a forma de colo. Redondo. Quase uterino. É feito do amor das mães, muito maior do que se escreve na tatuagem do braço, porque desenhado a fogo na vida da gente.
Nesse lugar, ficam guardados os beijos que beberam as nossas lágrimas, acalmaram as nossas dores, calaram os nossos gritos e refrescaram as nossas testas. Esse lugar foi a semente do que somos: gente com ternura dentro.
Abrigámos lá os nossos sonhos-meninos, depositámos lá as nossas esperanças, escondemos lá as desilusões e arquitetámos o futuro no mundo que os olhos delas nos mostravam.
Desse lugar, partimos à procura do sul, do sol e do sal, porque foi lá que nasceu para nós, só para nós, o calor, a alegria e a vontade. Porque é lá que os anjos dormem, enredados nas contas que as mães desfiam por nós. Ali, Deus colocou a semente da força, num berço – braço – abraço que nos embala no silêncio das nossas vigílias. Um aconchego, ora andorinha, ora papoila, ora folha caída no chão, nunca geada.
No coração dos homens mora o que fica das mães, depois que elas se vão embora: o segredo dos sorrisos, a ternura das mãos, o calor infinito do abraço. Nesse lugar, somos eternamente meninos, eternamente amados, eternamente filhos.
O retrato das mães fica sempre descoberto nesse lugar que Deus criou no coração dos homens. Imenso. Doce. É que Deus inventou as mães para nos explicar o amor. E elas, generosas, aceitaram a missão.
É assim com todas as mães. Com a minha.

domingo, 2 de maio de 2010

PORQUE MÃE É BEIJO DE DEUS

Quando o grito do princípio se cala, o olhar do menino fixa o rosto de Deus. E o rosto de Deus está colado ao olhar da mãe que lhe embala o sono. E é um olhar de amor infinito, capaz de dar o que tem, capaz de inventar o que não tem para o fazer feliz.
Mãe é o primeiro nome de Deus. E tem gosto a leite e a promessas. Tem música de beijos e de perdão. Tem cheiro a terra quando a Primavera a acorda e Maio lhe enfeita os caminhos com flores pequeninas.
Mãe é o colo sem limites onde se guarda o caminho de casa quando nos perdemos de nós, as lágrimas que nos refrescam a febre, o perdão de todos os crimes. Porque as mães são os anjos que Deus criou para nos amparar nas quedas, para nos proteger do frio, para dizer a cada um
- meu filho
e sermos únicos no meio da humanidade.
O beijo da Mãe é o beijo de Deus, quando a inocência se escreve no nosso olhar, quando a adolescência nos obriga a fazer perguntas, quando a juventude nos dá a ilusão de acreditar na nossa força, quando a vida nos obriga a procurar outros mares e outros abraços, quando o Outono nos mostra as fragilidades do nosso corpo e a solidão dos sentidos.
O regaço da Mãe é o regaço de Deus, quando a noite cai e temos medo, quando o sol se abre em alegrias, quando o tempo se faz eterno, quando a dor cala os pássaros ou as amoras nos tingem a boca com o sangue da terra.
Por ela, conhecemos as fadas e os heróis. Por ela, conhecemos o dom das palavras caladas e das lágrimas tatuadas no peito à espera que os nossos passos regressem a casa. Por ela, conhecemos uma Mulher que ficará connosco, mesmo quando ela adormecer nos braços frios da morte.
Por ela, aprendemos a rezar:
- Ave-Maria, Santa Maria, rogai por nós, agora e na hora da nossa morte.
Mãe é palavra de Deus levada à letra: “Amai-vos como eu vos amei!”. Até ao fim, portanto. Até depois do fim. Até à saudade que fica depois dela se ter ido embora. Até sempre.

Mãe é o coração de Deus ensinado aos homens.