Os olhos da ilha estão postos no mar. Os nossos também. Esticamos o nosso horizonte até à saudade. E percorremos a vida até chegarmos ao lugar exacto onde o tempo nos separou de alguém e fechou portas que, um dia, estavam abertas.
Um anjo sobrevoa o nosso olhar. Traz-nos gargalhadas penduradas nas asas, histórias antigas, canções de embalar. Traz-nos lembranças de Deus e da alegria de uma festa que já se arrumou nas caixas e se guardou no fundo do armário.
Temos saudade, sim. A nossa história ensinou-nos a definir as ausências, a acreditar nos regressos, a gerir os sentimentos que ficam no cais, quando o barco se afasta e os olhos chovem sobre o silêncio.
Temos saudades de quem já não está, do que já não se vive, do que já não se pode sentir. Temos pena de não ter aproveitado mais cada momento, cada beijo, cada aperto de mão, cada palavra que enfeitou o desespero, cada sorriso, cada manhã.
Os meus olhos sentaram-se, hoje, ao balcão e olharam a distância como se fossem os olhos da ilha. E perceberam como é bom isto da saudade, esta dor que não magoa, porque feita de amor, porque feita de beijos que a vida nos dá e nos permite ir buscar quando o mar é apenas água salgada.
E resolvi que havia de plantar saudades. Posso precisar delas qualquer dia. Posso precisar de sentir quanto valeu a pena viver a minha vida. Já temos o terreno – o coração. Falta apenas fazer a sementeira. Precisamos de sorrisos, de palavras boas, de gestos, de abraços. Precisamos de amigos, de amor, de entrega. Precisamos do sopro de Deus que os outros nos oferecem. Precisamos de coragem.
Esta semana, vamos plantar a saudade. Fazer da vida um milagre. Abrir as portas de ser feliz. Esta será uma semana para guardar na memória. Um dia, podemos vir a precisar dela, naqueles dias em que a poesia não se senta à mesa connosco e os olhos, debruçados no mirante, não conseguem ouvir a canção do mar.
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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
domingo, 21 de novembro de 2010
Balada [ao que partiu daqui]
Podes vir, sem medo. Aqui, nesta casa de pedra, há lugar para ti. Temos a mesa posta e o coração pronto para um abraço, aquele que levaste contigo, quando bateste a porta, engoliste as lágrimas e foste à procura de mundo.
Podes vir. A ilha nunca mais foi a mesma na tua ausência. Nem nós. Andamos mais velhos, mais sós. Andamos mais longe de nós. As nossas mãos seguram o vazio que tem a forma oca das tuas. As nossas pernas prendem-se cada vez mais ao chão, árvores desertas de verde. Os nossos olhos estão presos ao balcão donde vigiamos o horizonte.
Podes vir, sem medo das palavras. Nem dos silêncios. Nem dos intervalos entre as palavras e os silêncios. Quando nos avistares, as aves hão-de ensinar-te a melodia para a palavra que esperamos:
-voltei.
Quando chegares, o vento há-de pendurar nas ramagens o perfume do perdão, da alegria, dos sorrisos que guardámos no fundo das arcas para o momento de voltar a ver os teus olhos, líquidos de mar. A saudade. Então, as marés hão-de deixar escritas no calhau, com a renda branca da espuma, a esperança de um tempo novo.
Quando chegares, a terra há-de ficar grávida de Primavera, mesmo que seja Outono. As andorinhas hão-de regressar sem medo do Inverno e cartografar o nosso futuro, no céu da nossa esperança. Vamos acender os balões de S. João nas parreiras castanhas de Novembro. E vamos ser felizes. Outra vez.
Podes vir, sem medo de chorar. Temos a mesa posta e o coração pronto.
Estamos à tua espera.
Podes vir. A ilha nunca mais foi a mesma na tua ausência. Nem nós. Andamos mais velhos, mais sós. Andamos mais longe de nós. As nossas mãos seguram o vazio que tem a forma oca das tuas. As nossas pernas prendem-se cada vez mais ao chão, árvores desertas de verde. Os nossos olhos estão presos ao balcão donde vigiamos o horizonte.
Podes vir, sem medo das palavras. Nem dos silêncios. Nem dos intervalos entre as palavras e os silêncios. Quando nos avistares, as aves hão-de ensinar-te a melodia para a palavra que esperamos:
-voltei.
Quando chegares, o vento há-de pendurar nas ramagens o perfume do perdão, da alegria, dos sorrisos que guardámos no fundo das arcas para o momento de voltar a ver os teus olhos, líquidos de mar. A saudade. Então, as marés hão-de deixar escritas no calhau, com a renda branca da espuma, a esperança de um tempo novo.
Quando chegares, a terra há-de ficar grávida de Primavera, mesmo que seja Outono. As andorinhas hão-de regressar sem medo do Inverno e cartografar o nosso futuro, no céu da nossa esperança. Vamos acender os balões de S. João nas parreiras castanhas de Novembro. E vamos ser felizes. Outra vez.
Podes vir, sem medo de chorar. Temos a mesa posta e o coração pronto.
Estamos à tua espera.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Venham sempre...
Não riam. Mas fiquei com saudades dos meus companheirinhos de blogue. Fiquei com saudades dos comentários e dos mimos. Fiquei com saudades das gargalhadas da Agapê, dos cuidados da Nanda, da ternura da Seni, da força da Tina, do apoio do Jordas, da seriedade da Nobita. Fiquei com saudades da Dêpê que eu tinha perdido há tantos anos e que agora voltou, disponível, para me ensinar estas coisas dos tempos novos.
Não riam. Ainda ninguém se foi embora e
Ok! Vai passar… até porque percebi que este é mais um lugar de encontros, mais um sítio onde se vê os amigos, mais um lugar nosso.
Um agradecimento especial à Dêpê. Por causa dela, fizemos aqui um ninho. Por causa de um tempo que ela faz render e de uma força que parece não acabar.
Um beijo a todos. Boas Férias. Fico à espera que apareçam. Eu digo o que diziam as velhas da minha meninice:
- Venha sempre!
Não riam. Ainda ninguém se foi embora e
Ok! Vai passar… até porque percebi que este é mais um lugar de encontros, mais um sítio onde se vê os amigos, mais um lugar nosso.
Um agradecimento especial à Dêpê. Por causa dela, fizemos aqui um ninho. Por causa de um tempo que ela faz render e de uma força que parece não acabar.
Um beijo a todos. Boas Férias. Fico à espera que apareçam. Eu digo o que diziam as velhas da minha meninice:
- Venha sempre!
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