“Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante…”
Saint-Exupéry, O Principezinho
Falamos de amor. Dizemos
- amo-te
e envolvemos as palavras em corações de giz, enfeitamo-las com rosas vermelhas sempre em botão, cobrimo-las de chocolate e pomos-lhe uma fita à volta.
Escrevemos “amor” nas esquinas da nossa juventude e acreditamos que basta que as mãos se encontrem e os lábios desenhem, baixinho, juras de fidelidade eterna. Fazemo-lo, olhando o mar que explode em espumas no corpo das rochas. Fazemo-lo, bebendo as estrelas que penduram alegrias na noite. Fazemo-lo, no aconchego – concha dos braços que nos protegem do frio.
Pensamos “amor” e dizemos “nós” como se o futuro fosse simples, fosse apenas a soma de eu+tu, assim, como se não houvesse mais nada, como se mais nada fosse preciso, como se isso bastasse.
Sentimos “amor”, porque amor é palavra de se sentir. Tem vida e sofrimento colados a cada sílaba. Porque compromisso. Porque entrega. Porque disponibilidade. Porque para o outro.
Talvez Deus tenha oferecido as asas ao Amor. Talvez este Valentim que o mundo festeja e que tem asas também, signifique mais do que um dia. Talvez seja o tempo [porque o tempo também tem asas] de levar a sério cada olhar que se derrama noutro, cada mão que se encontra e se enlaça e se entrelaça, cada abraço que mistura dois corações e os fazem bater em coro. Talvez seja a hora [porque a vida é um instante] de entender que quem ama transfere a sua felicidade para a felicidade do outro.
Lembram-se da rosa d’O Principezinho? Foi preciso regá-la, tratar dela, protegê-la. Foi preciso dar-lhe espaço para crescer por si. Foi preciso matar as lagartas que ameaçavam as folhas novas que despontavam do chão. Foi preciso pensar nela como se ela fosse aquilo que de mais importante havia no mundo.
É assim o amor. Tal como a rosa, passa a precisar de outro coração para ajudar o seu a bater.
“- Sou responsável pela minha rosa… - repetiu o Principezinho, para nunca mais se esquecer”.
Agora, sim: uma flor, um chocolate, o mar, o pôr-do-sol. A vida tem uma fita à volta. O futuro, também. Um presente para quem se ama.
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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
POR CAUSA DO AMOR
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Vamos plantr a saudade?
Os olhos da ilha estão postos no mar. Os nossos também. Esticamos o nosso horizonte até à saudade. E percorremos a vida até chegarmos ao lugar exacto onde o tempo nos separou de alguém e fechou portas que, um dia, estavam abertas.
Um anjo sobrevoa o nosso olhar. Traz-nos gargalhadas penduradas nas asas, histórias antigas, canções de embalar. Traz-nos lembranças de Deus e da alegria de uma festa que já se arrumou nas caixas e se guardou no fundo do armário.
Temos saudade, sim. A nossa história ensinou-nos a definir as ausências, a acreditar nos regressos, a gerir os sentimentos que ficam no cais, quando o barco se afasta e os olhos chovem sobre o silêncio.
Temos saudades de quem já não está, do que já não se vive, do que já não se pode sentir. Temos pena de não ter aproveitado mais cada momento, cada beijo, cada aperto de mão, cada palavra que enfeitou o desespero, cada sorriso, cada manhã.
Os meus olhos sentaram-se, hoje, ao balcão e olharam a distância como se fossem os olhos da ilha. E perceberam como é bom isto da saudade, esta dor que não magoa, porque feita de amor, porque feita de beijos que a vida nos dá e nos permite ir buscar quando o mar é apenas água salgada.
E resolvi que havia de plantar saudades. Posso precisar delas qualquer dia. Posso precisar de sentir quanto valeu a pena viver a minha vida. Já temos o terreno – o coração. Falta apenas fazer a sementeira. Precisamos de sorrisos, de palavras boas, de gestos, de abraços. Precisamos de amigos, de amor, de entrega. Precisamos do sopro de Deus que os outros nos oferecem. Precisamos de coragem.
Esta semana, vamos plantar a saudade. Fazer da vida um milagre. Abrir as portas de ser feliz. Esta será uma semana para guardar na memória. Um dia, podemos vir a precisar dela, naqueles dias em que a poesia não se senta à mesa connosco e os olhos, debruçados no mirante, não conseguem ouvir a canção do mar.
Um anjo sobrevoa o nosso olhar. Traz-nos gargalhadas penduradas nas asas, histórias antigas, canções de embalar. Traz-nos lembranças de Deus e da alegria de uma festa que já se arrumou nas caixas e se guardou no fundo do armário.
Temos saudade, sim. A nossa história ensinou-nos a definir as ausências, a acreditar nos regressos, a gerir os sentimentos que ficam no cais, quando o barco se afasta e os olhos chovem sobre o silêncio.
Temos saudades de quem já não está, do que já não se vive, do que já não se pode sentir. Temos pena de não ter aproveitado mais cada momento, cada beijo, cada aperto de mão, cada palavra que enfeitou o desespero, cada sorriso, cada manhã.
Os meus olhos sentaram-se, hoje, ao balcão e olharam a distância como se fossem os olhos da ilha. E perceberam como é bom isto da saudade, esta dor que não magoa, porque feita de amor, porque feita de beijos que a vida nos dá e nos permite ir buscar quando o mar é apenas água salgada.
E resolvi que havia de plantar saudades. Posso precisar delas qualquer dia. Posso precisar de sentir quanto valeu a pena viver a minha vida. Já temos o terreno – o coração. Falta apenas fazer a sementeira. Precisamos de sorrisos, de palavras boas, de gestos, de abraços. Precisamos de amigos, de amor, de entrega. Precisamos do sopro de Deus que os outros nos oferecem. Precisamos de coragem.
Esta semana, vamos plantar a saudade. Fazer da vida um milagre. Abrir as portas de ser feliz. Esta será uma semana para guardar na memória. Um dia, podemos vir a precisar dela, naqueles dias em que a poesia não se senta à mesa connosco e os olhos, debruçados no mirante, não conseguem ouvir a canção do mar.
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