Número total de visualizações de páginas

Mostrar mensagens com a etiqueta abraços. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta abraços. Mostrar todas as mensagens

domingo, 7 de novembro de 2010

AMIGOS


Não preciso de dizer quem fala porque eles conhecem a minha voz, o tom da minha voz, a alegria ou a angústia que não preciso de dizer.
Não preciso de pedir que fiquem ao pé de mim, quando o mundo desmaia no meu peito e não tenho nenhum lugar para onde fugir.
Não preciso de procurar um lenço para que as suas mãos me enxuguem as lágrimas e me aqueçam a tristeza para que ela seja menos triste.
Falo de amigos, portanto. Dos que têm um bocado da minha alma dentro da deles. Dos que ficam comigo, nos momentos em que todos os outros têm mais que fazer. Dos que riem comigo, choram comigo, seguram as minhas mãos e me dizem que a vida vale sempre a pena. Dos que me ensinam a redefinir o caminho e me ajudam a usar as pedras do chão para fazer delas, degraus. Dos que me ligam apenas porque tinham saudades minhas. Dos que me ajudam a escrever a vida, todos os dias.
Falo dos que me iluminam as manhãs e as tardes e os silêncios que as noites sem anjos escurecem. Falo dos que têm tempo para mim, para me ouvir, para estar comigo, apenas para isso: ficar.
E falo de mim. Do nada que seria a minha vida sem amigos. Da solidão dos meus dias sem abraços. Do medo da noite sem luares. Da tristeza.
Não falo do facebook, não. Não falo da contabilidade dos que me visitam nos sítios da net. Não falo dos que se sentam ao meu lado no autocarro e conversam comigo sobre o tempo, sobre a crise, sobre a falta de valores, sobre qualquer coisa.
Falo de gente, dos poucos que partilham os meus sonhos, dos que me contam os seus, dos que não têm medo do que eu vá pensar se me disserem a verdade, dos que deixam que eu faça parte das suas vidas, dos que não têm medo do silêncio quando não há palavras para dizer.
Falo de nós. E guardo neste pronome todos os nomes. Ponho-lhe um coração à volta. Peço a Deus que os guarde, no para sempre que durar as nossas vidas.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

PROJECTO PARA UM DIA DE VERÃO

O sol acorda a manhã que lava a cara no mar. A cidade levanta-se, no vagar das férias e procura ver o que não viu durante o ano: a brancura das casas que sobem a montanha, o remate branco do mar na orla da ilha, o bailado das gaivotas a namorar os beirais, o bordado a xadrez da calçada do chão.
E pensamos,
- vai ser hoje
porque o sol sorri lá em baixo no mar e temos mais tempo. Dentro de nós, fazemos a lista do que nos falta fazer: telefonar ao amigo que não vemos há muito tempo, visitar o que cala, sozinho, a sua solidão, sorrir para quem se cruza connosco no azul fresco das ruas.
Hoje, vamos dizer
- bom dia,
e obrigar quem leva os olhos no chão, a olhar para a nossa voz e a iluminar o seu olhar com a luz dos nosso.
Hoje, vamos criar clareiras de alegria. Vamos falar de esperança e de coragem. Vamos inventar tempo para ver, para escutar, para sentir o ar que nos sacode os cabelos. Vamos fazer a vida acontecer, como faz a natureza que explode em flores, rompendo a lama, iluminando a negrura das rochas, abrindo gargalhadas na dureza das coisas.
Hoje, vamos redescobrir o calor dos abraços. O Verão entra assim, dentro de nós, aconchegando o bater dos corações, um no outro. Vamos desfazer os abismos que nos separam. Vamos voltar a confiar no amigo, como dantes, como quando não tínhamos medo das traições ou das palavras que têm dois gumes e que cortam como se fossem facas.
Não custa nada: nem suor, nem dinheiro. Um instante, apenas. A eternidade guarda-se no silêncio de um abraço. Quando nos abraçamos, não somos dois nem estamos sós, somos felizes.
- Dá-me um abraço?
Então, será mesmo Verão. Mesmo que o sol não precise de ir ao mar lavar a cara, porque a chuva o molhou.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

ABRAÇO AZUL


( a propósito da exposição "Abraço Azul " de Carla Cabral, Galeria dos Prazeres)


Guardo as minhas palavras neste abraço azul. Redondo como todos os abraços. Fecho-as num coração que se desenha na linha perfeita da filigrana e penduro-o ao peito.
Ato as minhas palavras ao bordado das formas e deixo-as ser mar, porque azul. Deixo-as ser maré e envolver as telas. Deixo-as entrar em cada quadro para dizer que há gritos que escondem silêncios, que há braços à espera de abraços, que há segredos (quase) meninos à espera de tempo, que há sonhos (quase) reais à espera de vez.
Perdi palavras pelo caminho. Deixei-as nos olhos que fechei e enterrei no colo, outra vez. Foi então que uma ave, a asa de uma ave, o sopro azul do voo de uma ave as salvou. Um abraço. Redondo. Azul. Um abraço apertado como são todos os abraços.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Bem Vindos, amigos!

Porque somos mais. Porque estamos juntos. Porque a família vai crescendo. Porque nos enriquecemos. Porque sim.

Bem vindos, colegas! O meu espaço é tambem a vossa casa. Partilhemos as palavras. Porque as palavras são redondas como abraços.