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domingo, 5 de dezembro de 2010

POR CAUSA DE UM PRESÉPIO (AINDA) VAZIO

Já está. A cidade começa a acender-se no frio luminoso de Dezembro. As casas aquecem-se ao sol e deixam entrar a luz e um pouco da música que o vento traz das bandas do mar. Já cheira a broas acabadas de cozer. Já se acendeu uma vela, a primeira, a que anuncia que a Festa está aí, pendurada no céu das ribeiras, no lavado das cortinas, nos braços das árvores que são as margens das ruas.
Vou entrar, agora, em casa. Deixo-me ficar no segredo de mim e olho o que já está feito: a árvore já está montada, no verde ecológico dos novos tempos, cheia, guardadora de magias antigas e memórias boas do tempo em que se contavam os dias que faltavam para o Natal; o papel pardo já está pintado e pronto para forrar os caixotes que se hão-de encher com as histórias dos pastores que se preparam, na serra inventada, para visitar o Menino Jesus.
Vou ficar aqui, um bocadinho. Ainda não há figuras no presépio da minha casa. Está vazio. Como em Belém, antes da estrela chegar. Como em muitas casas, este Natal. Apesar das compras e das montras e dos presentes. Apesar da embriaguez das luzes.
Deixo-me ficar assim, parada, no meu presépio vazio. O de dentro. Tenho de o compor antes que a noite caia.
Deixo-me ficar. Fico a ouvir o tempo. Vem nas asas da música que a minha memória traz. Vem no cheiro da acácia que, dantes, perfumava a casa. Vem no silêncio do meu presépio vazio. Vem de mim.
As caixas com as imagens já saíram do armário. Amanhã, se Deus quiser, vão começar a contar a história deste Natal. Agora, tenho de tratar do outro, do verdadeiro, do que tenho de construir dentro do peito. Outra vez. Como ontem. Como tenho de fazer todos os dias.
in JM 5/12/10

1 comentário:

  1. Já acabei a árvore, agora estou tratando do presépio.Uso troncos, restos do que já foram árvores, apenas o que restou delas. Estão limpos e prontos, no seu melhor, a sua cor fala das folhas e frutos do passado, relembram da sombra e da frescura dada aos passeantes, enfim são o melhor da floresta, aqui em arco de gruta constroem o presépio da minha alma.

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