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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

JANEIRO

Janeiro é o mês primeiro, o alicerce do resto que o ano há-de trazer. Por isso, vou falar de chão: de pedra ou de areia, de flores ou de cacos, mas chão.
Não pensei nisso quando olhei para o céu e o vi rebentar em cores, desenhando nos meus olhos os sonhos, os desejos e os projectos. Não pensei nisto quando senti os abraços de quem amo, de quem me ama, de quem continua por aqui, comigo.
Penso nisto agora que a vida recomeçou e que cada passo que dou me lembra que este é o tempo de começar de novo, de preparar o que me falta de vida para viver.
Por isso, chão: de rocha firme ou de pântano, campo seguro ou areal efémero.
Janeiro é a terra onde nascem as resoluções para o sempre: deixar de fumar, começar a dieta, marcar o ginásio, ir ao médico, poupar um bocadinho mais.
É o mês-chão onde se planta o futuro: ter cuidado com as pedras que a boca atira, chamar o silêncio para aplacar as tempestades, beber o sol e embebedar-se de luz, dizer que sim, que se precisa de mãos, que se quer um abraço, que se acredita, que se vai ter coragem para procurar a felicidade.
Escrevo chão, hoje. E nele ponho a vontade de fazer um ano bom. Escrevo chão e lanço nele as sementes das minhas palavras, o luar das minhas noites, o beijo das minhas solidões.
Escrevo chão porque é janeiro. Nele construo a nossa casa. Nele abraço a vida e espero. Nele quero ser feliz.

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