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terça-feira, 24 de maio de 2011

A curva da felicidade

A felicidade mora ali. Tem forma de sorriso e perfumes de campo quando as flores pequeninas explodem do chão. Tem sabor de coisa conquistada. Tem palavras vestidas pelo sol da manhã. Põe-se ao peito como um colar e contagia-se, porque queima e ilumina e enfeitiça. Está ali. Na curva do hoje, escondida debaixo das pedras do medo, da desconfiança, da doença.
Temos de a descobrir. Ela está ao alcance da nossa mão. Está nas coisas pequeninas que compõem as horas dos nossos dias, nos silêncios iluminados dos olhares que incendeiam os nossos, naqueles momentos de gelo que nos impedem de olhar os céus. Está no abraço apertado dos amigos, no aconchego doce das casas, no sabor antigo da sopa de couve que fumega na mesa, no beijo que nos espera ao fim do dia.
A felicidade está em nós: em nós connosco, em nós com os outros, em nós com Deus – tenha Ele o nome que tiver.
Ao virar da curva da nossa solidão, está a pista para a encontrar. Fácil, fácil. Talvez por isso não valha a pena nos fixarmos nos negrumes da noite, nas pequenezes dos nossos egoísmos, nas palavras-pedras que atiramos para matar, nas coisas-poucas que nos fazem sofrer e chorar e lutar contra nadas que tomam conta de nós.
A felicidade mora aqui. (Está a ver o meu dedo apontado para mim, para si, para o mundo?) Bem no centro de nós.
Às vezes, iludimo-nos nas formas de a encontrar. A sua verdadeira ajuda está mesmo aí, nessa mãos que vive no fundo do seu braço, nesses pés que suportam o seu corpo, nesse coração que teima em bater, nesses olhos capazes de se embriagar com a beleza das coisas.
Se quiser, vou consigo. Precisamos um do outro para encontrar a curva certa, sem nos perdermos no caminho.
Vamos ser felizes? Diga que sim. A vida fica tão mais simples.

2 comentários:

  1. Hola Graça

    He llegado a ti a través de mi hermana Arantza, del cariño y la admiración con que me habla de ti, de tus cuentos y relatos. Gracias por el homenaje al Padre que nos regalaste, lleno de ternura y reconocimiento, lleno de sensibilidad. Besarkada bat, un fuerte abrazo, um abraço bem preto desde Euskal Herria. Mertxe Uriarte

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    1. Muito obrigada pelo comentário e pelas palavras. A Arantza é uma bênção nesta ilha e na minha / nossa vida. Espero que tudo se esteja a recompor. Um forte a braço (besarkada bat - é assim?)
      beijos para todos
      graça alves

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